Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Ultimo Adeus a Chico Anysio

Uma das primeiras memórias que tenho sobre o humor foi aos cinco ou seis anos de idade, me lembro de passar as noites ao lado do meu pai ouvindo dois discos de vinil do Chico Anysio, na época ele fazia o que hoje se chama Stand up Comedy. Algumas piadas eu não entendia, outras eu ria por que eram proibidas para menores. Felizmente meu pai nunca fez parte deste bando de chatos que apoiam a censura.

Alguns anos depois eu passava noites em família assistindo a "Escolinha do Professor Raimundo" com meus pais, cada um deitado em um sofá rindo das piadas. Não importa o caminho que eu faça o Chico Anysio sempre esteve na minha infância. Talvez esteja começando este texto de forma muito sentimental, porém fica impossível não falar de uma perda sem estar embargado pelo saudosismo.

O que sempre admirei no Chico não era sua criatividade ou as 209 personagens criadas mas sim seu humor inteligente, ele quebrava o paradigma que empesteia o humor de hoje - se o humor é popular tem que ser simplista ou que o humor não pode ser inteligente pois o povão não entenderia. Chico provou o contrário. Seu humor era refinado, repleto de pequenas ironias, sutilezas que se faziam entender desde o intelectual até o mais simplório dos expectadores. Suas piadas funcionavam para os que gostam de uma reflexão crítica até aqueles que só querem rir.

O que dizer então de "Escolinha do professor Raimundo" - em reprise no Canal Viva ainda é muito engraçado, muitas vezes copiado porém nunca igualado. Com todo o respeito para Carlos Alberto de Nôbrega ou Sidney Magal mas eles não são o Chico Anysio. Vemos na escolinha um brilhante humorista fazendo escada - proporcionando a situação ideal para outro humorista brilhar. Sinal de humildade, que só tem quem é muito bom aceita fazer; apenas como curiosidade é mais difícil fazer escada do que contar a piada em si.

Chico tinha um outro lado, o humano, sua morte foi decorrência direta do cigarro. Fruto da vaidade ele queria ficar parecido com os galãs de Hollywood, para tanto Chico suportou a rejeição inicial ao cigarro, a ânsia de vômito e os enjoos "quanta burrice" disse ele após sua primeira internação. A doença dificultava seu trabalho, ele não podia andar pois se cansava facilmente. Mas consegui falar.

Após anos afastados da televisão o mestre retornou em um quadro pequeno no horroroso "Zorra Total" ao invés de ficar indignado, como era de se imaginar, ele ficou grato e feliz por fazer o que gostava, colocar o Chico no Zorra era como jogar pérolas aos porcos, mas ele não se importou o importante era fazer o que gostava, dividir sua experiência com os jovens e resgatar velhos humoristas esquecidos.

Adeus Chico Anysio e muito obrigado pelas risadas

Um comentário:

  1. Uma bela homenagem, devo afirmar... Sem sombra de dúvida a memória de Chico será imortal...

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