Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

domingo, 28 de dezembro de 2014

Fala Lobão

O roqueiro Lobão é um homem sábio, como tal ele sabe que mudanças de opinião são mais honestas do que manter-se fiel a velhas estruturas custe-o-que-custar. Depois de ter cantado “Lula-Lá” ao vivo, no programa do Faustão, em 1989 e ter feito campanhas para o PT, se tornado amigo de políticos da estrela vermelha o velho lobo é figura presente nas manifestações contra Dilma.
Lobão afirma que sua decepção com o PT começou cedo, ainda em 2002 e se agravou em 2005 com o escândalo do Mensalão. Antes de assumir o poder o PT balançava a bandeira da honestidade, Zé Dirceu é uma espécie de paladino caçador de corruptos era símbolo de honestidade e Lula o símbolo da nova política. Lobão foi um dos que se indignou quando o PT mostrou sua cara, ao contrário de outros antigos apoiadores que fingem não reparar na mudança ideológica, mantendo-se fieis tapando seus olhos e ouvidos Lobão se levantou contra seu ex-partido.
Um dos principais porta vozes do antipetismo Lobão divide opiniões muitos o consideram um exemplo do brasileiro indignado com tantas mentiras e unilateralidade petista, outros o consideram exagerado e falastrão. Em seu último livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” Lobão afirmou que a comissão da verdade era uma vingança da Dilma julgando os militares e ignorando crimes, assassinatos e mutilações resultadas de atividades terroristas.
Recentemente Lobão tornou-se amigo de conferências do filósofo Olavo de Carvalho, todos os dias o roqueiro almoça com o jornalista Claudio Tognolli, autor de sua biografia “50 Anos a Mil”, Romeu Tuma Jr., autor de “Assassinato de Reputações” e o jornalista Sérgio Malbergier. Sua oposição ao governo vem resultando em um boicote aos seus shows. Lobão é autor de “50 Anos a Mil” e “Manifesto do Nada na Terra do Mundo” que juntos venderam 190 mil exemplares. Atualmente ele prepara um terceiro livro: “Como Tirar o Hype do PT”. Segue entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo:


Como foi o encontro com o Senador Aécio Neves?
Foi Muito querido. Eu contei a ele que informantes nos deram as fichas de comunistas infiltrados no protesto, fingindo ser militaristas. Ainda bem que o Aécio não foi.
Você diz perder shows por causa de suas posições políticas...
Eu estou perdendo 80% dos meus shows por causa disso. Mas sou também escritor de sucesso e vou lançar mais um livro “Como Tirar o Hype do PT”. A direita é muito cafona, enquanto a esquerda tem um hype indevido... Che Guevara era gatinho.
Você defende o impeachment da presidente Dilma?
Eu defendo a queda do PT. Usaremos de todas as brechas possíveis para isso.
Em 2011 você criticou a comissão da verdade...

Essa comissão é um peido, é feita de cínicos revanchistas. E as bombas que explodiram e amputaram pessoas? Eu sei que isso é o maior Tabu da história brasileira, se você discordar está “simonalizado” para o resto da vida... Mas eu sou “insimonalizável”! só quero uma simetria, não se pode ver apenas um lado.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Brinquedos dos Natais Passados

Neste natal vamos relembrar os brinquedos que ganhávamos na nossa época, então prepara-se para uma viajem no tempo. Não contenha o sorriso nostálgico:

Aquaplay


Adicionar legenda

Adicionar legenda

Adicionar legenda


Fluffy

Adicionar legenda


Iôiô da Coca-Cola


Jaspion


Lango Lango


Murphy Monkey


sectaurs da Mimo


Sniff Sniff


Super Amigos

Topo Giggio

Voltron

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Trégua de 1914


Em 16 de Dezembro de 1914, durante a primeira guerra mundial soldados ingleses e alemães, entrincheirados uns de frente para os outros na Bélgica, passaram a noite cantando músicas natalinas, no dia seguinte, exatamente a 100 anos um soldado inglês chamado Jim saiu de sua trincheira e caminhou até os alemães, onde o soldado Otto o cumprimentou, ambos apertaram as mãos e disputaram uma partida de futebol criando uma trégua não oficial. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Bárbara Martins

A musa deste mês é a cruzeirense fanática Bárbara Martins, modelo profissional ela é natural da cidade de Vespasiano, Minas Gerais, que participou do concurso Musa do brasileirão.
O rosto de ninfetinha chama atenção, tanto quanto sua beleza, alguém conseguiu reparar na postura e elegância de Bárbara? Isso porque além de modelo a bela é professora de Balé.
A moça se descreve como dona de uma personalidade forte, ela é dona de uma expressão séria, e repleta de amigos. Pois bem desfrute da beleza estonteante de Bárbara, que deve estar muito feliz com o bi campeonato de seu cruzeiro.


















sábado, 13 de dezembro de 2014

Cristi Harris


Cristi é uma Screan Queen que possui dois cults de terror em seu currículo, mesmo não sendo tão conhecida você com certeza assistiu a um de seus filmes. “A Noite do Espantalho” e “A Noite dos demônios 2”, lá pela década de 1990 esses dois filmes saiam mais do que pãozinho quente das video locadoras (hoje quase extintas). Esses dois filmes em seu currículo já seriam suficientes para inclui-la como uma Screan Queen de talento.
A moça nasceu na estado da Geórgia, Estados Unidos, na data de 3 de Dezembro de 1977, ela teve uma infância nômade morando em vários estados país a fora, ela decidiu pela carreira de atriz aos 13 anos, quando conheceu o ator Sammy Davis Jr. No set de “O Maior Presente de natal” de 1990.
Na época seu irmão era assistente de direção, Sammy disse para Cristi seguir sempre seu coração. Foi o que a moça fez, embarcou em uma profissão difícil que pode trazer muitos méritos ou muita decepção. Mesmo nunca tendo sido uma estrela a moça se saiu bem e segue trabalhando até os dias de hoje.
Em seu tempo livre ela gosta de dançar e cantar, inclusive ela já cantou profissionalmente com Slim Jim Phantom, baterista da banda “Stray Cats” no álbum “Blondie Beyond”.

Vida Profissional

Sua estreia deu-se com participações no seriado “Growing Pains” em 1992 – o seriado falava sobre um psiquiatra que trabalha em casa para sua esposa, jornalista, a qual voltava a trabalhar. Cristi fez apenas uma participação em um episódio. No mesmo
"A Noite dos Demônios 2"
ano ela fez uma ponta na comédia “Rescue Me”, no ano seguinte foi a vez de uma participação na série cômica “Três é Demais”.
Com 18 anos Cristi estreou nas produções de terror, “A Noite dos Demônios 2”. Aqui ela interpreta Bibi , uma das personagens principais, no filme grupo de adolescentes desajustados vivem em um internato católico, como último refúgio antes da prisão, na noite de Helloween três garotas – uma bad Gril, Bibi e uma nerd fogem para encontrar com alguns garotos e terem uma noite de festa e sexo em uma casa onde ocorrera assassinatos – para quem não assistiu o primeiro filme a casa é habitada por demônios.
Embora seja uma produção de 1995 o filme segue fielmente a linha do terror dos anos 1980. Temos excesso, mortes elaboradas e divertidas, toques de humor e fartas cenas de sexo (uma característica dessa franquia) aqui Cristi mostra talento para o gênero sem vergonha ela faz tudo que se espera de screan queen de respeito mostra os seios, grava boas cenas de sexo e transparece medo na hora certa. Até hoje o filme é considerado um cult e é guardado com carinho pelos fãs do gênero.
"A Noite dos Demônios 2"

No ano seguinte veio “A Noite do Espantalho” – Uma pequena cidade no meio do deserto prospera graças a farta colheita de milho. O que ninguém sabe é que no século passado um bruxo fez um acordo com o prefeito da cidade, ele faria a cidade prosperar, em troca exigiria total liberdade. A cidade enriqueceu e o bruxo deu início a uma orgia satânica.  Os moradores mataram o bruxo e roubaram seu livro.
Nos dias de hoje (1995) o espírito do bruxo se liberta e possui um espantalho, tem-se início a matança, mais um terror com raízes nos anos 80. Cristi da vida a Stephanie, filha do pastor na cidade, na frente dos pais ela é uma moça de família exemplar, por trás passa seu tempo livre transando com o namorado e bebendo, todos nós sabemos o que acontecem com pessoas assim nos filmes de terror, sua morte é de longe a melhor do filme segue como uma das mais inusitadas (para não dizer
Cristi Morrendo
 em A Noite do Espantalho
estranhas) dos filmes de terror em uma cena que sugere um estupro o espantalho enfia um farpa no corpo de Stephanie e tentáculos de palha saem de seus seios a envolvendo. Tudo seguido por gemidos sexuais.
Em 1997 ela estrela “Kiss of Death” um thriller envolvendo a máfia, diferente dos seus filmes anteriores, que hoje são cultuados em grupos de filmes de terror este aqui segue no esquecimento; no mesmo ano a moça esteve em “Lurid Tales: The Castle Queen” uma produção erótica, outra característica das screans queens do passado, por usarem e abusarem (no melhor dos sentidos) do erotismo em seus filmes elas acabavam sendo convidadas para produções eróticas. 
“Lurid Tales: The Castle Queen” conta a história de um estudante que acaba sendo enviado de volta no tempo por uma máquina de
fliperama (!) de volta ao século XVII ele encontra três garotas cheias de luxúria que estão no meio de uma disputa política. Acho que já deu para pegar a ideia.
Em 1998 ela participou do drama “Sunset Beach: Shockwave” – uma produção feita para televisão sobre as consequências de um terremoto ocorrido em Sunset Beach, praia californiana que resulta em um tsunami encalhando um navio.
Entre 1998 e 1999 ela participou do seriado “Sunset beach” – não deve ser confundido com o filme a cima, na série cômica/dramática uma mulher muda-se para praia e tem que adaptar-se a um novo estilo de vida. Cristi participou de alguns episódios.

A partir desse ano Cristi tem dedicado a participações em seriados como NCIS (2004) e “Passions” (2004 – 2005). Atualmente ela atua nos bastidores da mídia como produtora e organizadora de elenco, porém seus cults nunca serão esquecidos.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Top 10: Filmes Natalinos

Mais uma vez estamos naquela época do ano, Dezembro possui uma aura diferente, são tempos mágicos que nos remete a infância, a melhor época da nossa vida. Para comemorar a data vai uma lista de 10 filmes que tenham o Natal como pano de fundo:

Duro de Matar

John Mcclane (Bruce Willis em início de carreira) é um policial nova-iorquino do tipo que atira primeiro e pergunta depois que está vivendo uma crise em seu casamenta sua esposa pegou seus filhos e mudou-se para Los Angeles para trabalhar em uma empresa japonesa. O Natal parece ser a data perfeita para reconciliações, exceto pelos terroristas que invadem o prédio. Mcclane encontra-se sozinho, descalço e com apenas um revolver contra terroristas armados até os dentes. Um clássico instantâneo – “Yippee Ki-yay Mother Fuker”. 

Esqueceram de Mim

Macaulay Culkin é o caçula de sua família, que prepara-se para passar o natal em Paris, seus pais o ignoram, seu irmão o atormenta, seus primos não tem paciência. Na véspera da viagem seu tio conta errado e o garoto é esquecido em casa. Sozinho. Tudo parecia um paraíso até dois ladrões trapalhões tentarem roubar sua casa. O que parecia ser mais uma comédia boboca, que ficaria juntando teias de aranha em qualquer vídeo locadora tornou-se um clássico instantâneo lançou o jovem Macaulay ao status de estrela. O resto é história.

Os Fantasmas Contra-Atacam

Bill Murray estava no ápice de sua carreira quando topou fazer esta divertida adaptação de “Um Conto de Natal” dirigida por Richard Donner (Superman – O Filme) Murray vive Frank Cross um executivo de televisão frio e avarento que afasta-se de todo o contato humano para poder ganhar dinheiro. Na véspera de natal ele é visitado pelo espírito de seu antigo mentor que avisa Cross de que este será visitado por três fantasmas. Paralelamente Cross relembra-se de um antigo amor do passado enquanto prepara uma versão de “Um Conto de Natal” para a emissora onde trabalha. Definitivamente uma das interpretações mais criativas deste conto natalino tantas vezes adaptado.

Férias Frustradas de Natal

Clark Criswold (Chevy Chase) é um batalhador ou um teimoso cabeça dura, depende do ângulo de visão, todas as férias em família que ele prepara dão terrivelmente erradas, com= o Natal não poderia ser diferente. Clark promete para sua família o melhor natal de todos os tempos, compra 20 mil luzes pisca-pisca, convida toda a família mas... o peru explodem a árvore de Natal não cabe dentro de casa, todos os convidados encontram algo na decoração para criticar... já deu para entender.  

Gremlins

Estamos na semana de Natal quando o jovem Billy ganha um presente inusitado se seu pai um Mogwai chamado Guismo, junto com este simpático bichinho peludo, vem três regras que de maneira alguma podem ser quebradas 1) não o exponha a luz forte, principalmente a luz do sol, pode mata-lo; 2) não o molhe, não lhe de água para beber e não lhe de banhos; 3) mais importante de tudo nunca, jamais, não importa o quanto ele lhe peça não lhe de comer após a meia noite. Felizmente as regras são quebradas e a pequena cidade fica infestada de Gremlins,criaturas verdes, com senso de humos destrutivo, que adoram destruir as coisas e assistir “Branca de Neve e os Sete Anões”. O filme teve uma ótima sequência que acabou sendo o último suspiro criativo de Joe Dante.

Um Herói de Brinquedo

Arnold Schwarzenegger ficou famoso por seus filmes de ação, já suas comédias nunca acompanharam a qualidade de suas fitas explosivas. Toda a regra tem uma exceção, “UM Herói de Brinquedo” é esta exceção. Arnold vive um homem de negócios atarefado que vive esquecendo compromissos, desta vez ele esqueceu de comprar o Turbo Man, o boneco que seu filho quer de presente. Estamos no dia 24 de Dezembro e todos os bonecos foram vendidos. 

Natal Sangrento

Nos anos 80 o slasher,subgênero do terror, virou moda, assim cada data especial virou motivo para criar-se um filme de terror, depois do dia dos namorados e do primeiro de abril chegou a vez do natal. No ano de 1971 o jovem Billy vai visitar seu avô em um sanatório, ao ficar sozinho com o velho este lhe conta que Papai Noel irá punir quem não for bonzinho, saindo do sanatório seus pais são mortos por um assaltante vestido de Papai Noel. Os anos passam, Billy consegue superar a morte dos pais e vai trabalhar em uma loja, lá um evento irá lembra-lo da morte de seus pais. Billy assume a imagem do Papai Noel e sai matando quem ele julga não estar se comportando. Na época uma junta de pais “frescos” fizeram protestos contra o filme por usar a imagem do papai Noel. Os pais acharam mais fácil fazer passeatas do que educar seus filhos. O estúdio ficou assustado, os slashers deram uma recuada, para tempos depois voltarem, natal sangrento teve mais cinco continuações.   

Uma Noite de Fúria

Provavelmente um dos filmes mais loucos desta lista. Papai Noel é na verdade um demônio que perdeu uma aposta com um anjo e precisa distribuir felicidade e presentes como punição, agora o período da aposta chegou ao fim. Paralelamente o jovem Douglas vive com seu avô que sempre o proibiu de festejar o natal, justamente por conhecer a história do Papai Noel, Douglas prepara uma comemoração as escondidas com sua namorada, porém ninguém esconde nada do Papai Noel. O bom velhinho é interpretado pelo ex-lutador Bill Goldberg. Impossível não se divertir.

De Olhos Bem Fechados

Diferente de todos os outros filmes desta lista aqui o natal é utilizado como metáfora entre as fantasias e a realidade, nesta época mágica onde os dois reinos se misturam. O então casal na vida real Tom Cruise e Nicole Kidman interpretam um casal, ele médico e ela dona de casa. Em meio a uma crise no seu casamento a personagem de Tom busca refúgio no mundo secreto da sexualidade procurando prostitutas e entrando em uma orgia secreta regida pela alta sociedade, retratado pela noite que resulta na morte de uma garota, no dia seguinte ele tenta corrigir seus erros investigando o que aconteceu, totalmente fincado na realidade, representado pelo dia, até as revelações do que realmente aconteceu. O filme termina em um final surpreendente, não motivado por grandes revelações, mas pela conciliação entre realidade e fantasia na figura dele, sua esposa e sua filha. Último filme de Stanley Kubrick.

Táxi 3

Táxi é uma franquia de filmes franceses que mistura ação com comédia – caindo mais para a comédia produzida por Luc Besson, ignorem sua versão americana ele não chega aos pés da graça dos filmes franceses que honram a tradição do pastelão. Estamos no natal Émilien é um detetive que tenta solucionar uma onde de roubos organizados pela gangue do papai Noel, ele é tão distraído que não percebeu que sua mulher está grávida de nove meses. Bai Ling, mais sexy do que nunca, vive uma repórter que infiltra-se na polícia para fazer uma reportagem. Temos ainda Daniel Morales motorista de um taxi turbinado e Stalonne fazendo uma ponta como agente secreto. Vale a pena conhecer esta pequena pérola do cult francês.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Correspondência entre Einstein e Freud: Por que a Guerra?


No ano de 1931 que o Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual foi instruído pelo Comitê Permanente para a Literatura e as Artes da Liga das Nações a promover e publicar trocas de correspondência entre intelectuais de renome. O primeiro nome a ser escolhido pelo Instituto Einstein, e foi ele quem sugeriu o nome de Freud. Assim sendo, em junho de 1932, o secretário do Instituto escreveu a Freud, convidando-o a participar, ao que ele prontamente acedeu. A carta de Einstein chegou-lhe no início de agosto, e sua resposta estava concluída um mês depois. A correspondência foi publicada em Paris, pelo Instituto, em março de 1933, em alemão, francês e inglês, simultaneamente. No entanto, sua circulação foi proibida na Alemanha.
Depois da publicação desta carta os dois homens encontraram-se apenas uma vez, sobre o encontro Freud disse: “eu não sei nada sobre física e ele não sabe nada sobre psicanálise. Logo foi uma conversa muito agradável”.
A releitura desta correspondência torna-se atual nos dias de hoje, o físico questionou o psicanalista sobre “o porquê da guerra”, tema atual seja olhando para os conflito no Oriente médio e Israel, seja olhando para Coréia do norte e seu ditador, ou um olhar minucioso sobre o nosso brasil contemporâneo.



CARTA DE EINSTEIN


Caputh junto a Potsdam, 30 de julho de 1932

Prezado Professor Freud

A proposta da Liga das Nações e de seu Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual, em Paris, de que eu convidasse uma pessoa, de minha própria escolha, para um franco intercâmbio de pontos de vista sobre algum problema que eu poderia selecionar, oferece-me excelente oportunidade de conferenciar com o senhor a respeito de uma questão que, da maneira como as coisas estão, parece ser o mais urgente de todos os problemas que a civilização tem de enfrentar. Este é o problema: Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça de guerra? É do conhecimento geral que, com o progresso da ciência de nossos dias, esse tema adquiriu significação de assunto de vida ou morte para a civilização, tal como a conhecemos; não obstante, apesar de todo o empenho demonstrado, todas as tentativas de solucioná-lo terminaram em lamentável fracasso.
Ademais, acredito que aqueles cuja atribuição é atacar o problema de forma profissional e prática, estão apenas adquirindo crescente consciência de sua impotência para abordá-lo, e agora possuem um vivo desejo de conhecer os pontos de vistas de homens que, absorvidos na busca da ciência, podem mirar os problemas do mundo na perspectiva que a distância permite. Quanto a mim, o objetivo habitual de meu pensamento não me permite uma compreensão interna das obscuras regiões da vontade e do sentimento humano. Assim, na indagação ora proposta, posso fazer pouco mais do que procurar esclarecer a questão em referência e, preparando o terreno das soluções mais óbvias, possibilitar que o senhor proporcione a elucidação do problema mediante o auxílio do seu profundo conhecimento da vida instintiva do homem. Existem determinados obstáculos psicológicos cuja existência um leigo em ciências mentais pode obscuramente entrever, cujas inter-relações e filigranas ele, contudo, é incompetente para compreender; estou convencido de que o senhor será capaz de sugerir métodos educacionais situados mais ou menos fora dos objetivos da política, os quais eliminarão esses obstáculos.
Como pessoa isenta de preconceitos nacionalistas, pessoalmente vejo uma forma simples de abordar o aspecto superficial (isto é, administrativo) do problema: a instituição, por meio de acordo internacional, de um organismo legislativo e judiciário para arbitrar todo conflito que surja entre nações. Cada nação submeter-se-ia à obediência às ordens emanadas desse organismo legislativo, a recorrer às suas decisões em todos os litígios, a aceitar irrestritamente suas decisões e a pôr em prática todas as medidas que o tribunal considerasse necessárias para a execução de seus decretos. Já de início, todavia, defronto-me com uma dificuldade; um tribunal é uma instituição humana que, em relação ao poder de que dispõe, é inadequada para fazer cumprir seus veredictos, está muito sujeito a ver suas decisões anuladas por pressões extrajudiciais. Este é um fato com que temos de contar; a lei e o poder inevitavelmente andam de mãos dadas, e as decisões jurídicas se aproximam mais da justiça ideal exigida pela comunidade (em cujo nome e em cujos interesses esses veredictos são pronunciados), na medida em que a comunidade tem efetivamente o poder de impor o respeito ao seu ideal jurídico. Atualmente, porém, estamos longe de possuir qualquer organização supranacional competente para emitir julgamentos de autoridade incontestável e garantir absoluto acatamento à execução de seus veredictos. Assim, sou levado ao meu primeiro princípio; a busca da segurança internacional envolve a renúncia incondicional, por todas as nações, em determinada medida, à sua liberdade de ação, ou seja, à sua soberania, e é absolutamente evidente que nenhum outro caminho pode conduzir a essa segurança.

O insucesso, malgrado sua evidente sinceridade, de todos os esforços, durante a última década, no sentido de alcançar essa meta, não deixa lugar à dúvida de que estão em jogo fatores psicológicos de peso que paralisam tais esforços. Alguns desses fatores são mais fáceis de detectar. O intenso desejo de poder, que caracteriza a classe governante em cada nação, é hostil a qualquer limitação de sua soberania nacional. Essa fome de poder político está acostumada a medrar nas atividades, de um outro grupo, cujas aspirações são de caráter econômico, puramente mercenário. Refiro-me especialmente a esse grupo reduzido, porém decidido, existente em cada nação, composto de indivíduos que, indiferentes às condições e aos controles sociais, consideram a guerra, a fabricação e venda de armas simplesmente como uma oportunidade de expandir seus interesses pessoais e ampliar a sua autoridade pessoal.
O reconhecimento desse fato, no entanto, é simplesmente o primeiro passo para uma avaliação da situação atual. Logo surge uma outra questão: como é possível a essa pequena súcia dobrar a vontade da maioria, que se resigna a perder e a sofrer com uma situação de guerra, a serviço da ambição de poucos? (Ao falar em maioria, não excluo os soldados, de todas asgraduações, que escolheram a guerra como profissão, na crença de que estejam servindo à defesa dos mais altos interesses de sua raça e de que o ataque seja, muitas vezes, o melhor meio de defesa.) Parece que uma resposta óbvia a essa pergunta seria que a minoria, a classe dominante atual, possui as escolas, a imprensa e, geralmente, também a Igreja, sob seu poderio. Isto possibilita organizar e dominar as emoções das massas e torná-las instrumento da mesma minoria.
Ainda assim, nem sequer essa resposta proporciona uma solução completa. Daí surge uma nova questão: como esses mecanismos conseguem tão bem despertar nos homens um entusiasmo extremado, a ponto de estes sacrificarem suas vidas? Pode haver apenas uma resposta. É porque o homem encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição. Em tempos normais, essa paixão existe em estado latente, emerge apenas em circunstâncias anormais; é, contudo, relativamente fácil despertá-la e elevá-la à potência de psicose coletiva. Talvez aí esteja o ponto crucial de todo o complexo de fatores que estamos considerando, um enigma que só um especialista na ciência dos instintos humanos pode resolver.
Com isso, chegamos à nossa última questão. É possível controlar a evolução da mente do homem, de modo a torná-lo à prova das psicoses do ódio e da destrutividade? Aqui não me estou referindo tão-somente às chamadas massas incultas. A experiência prova que é, antes, a chamada ‘Intelligentzia’ a mais inclinada a ceder a essas desastrosas sugestões coletivas, de vez que o intelectual não tem contato direto com o lado rude da vida, mas a encontra em sua forma sintética mais fácil — na página impressa.
Para concluir: Até aqui somente falei das guerras entre nações, aquelas que se conhecem como conflitos internacionais. Estou, porém, bem consciente de que o instinto agressivo opera sob outras formas e em outras circunstâncias. (Penso nas guerras civis, por exemplo, devidas à intolerância religiosa, em tempos precedentes, hoje em dia, contudo, devidas a fatores sociais; ademais, também nas perseguições a minorias raciais.) Foi deliberada a minha insistência naquilo que é a mais típica, mais cruel e extravagante forma de conflito entre homem e homem, pois aqui temos a melhor ocasião de descobrir maneiras e meios de tornar impossíveis qualquer conflito armado.
Sei que nos escritos do senhor podemos encontrar respostas, explícitas ou implícitas, a todos os aspectos desse problema urgente e absorvente. Mas seria da maior utilidade para nós todos que o senhor apresentasse o problema da paz mundial sob o enfoque das suas mais recentes descobertas, pois uma tal apresentação bem poderia demarcar o caminho para novos e frutíferos métodos de ação.

Muito cordialmente,
A. EINSTEIN. Viena, setembro de 1932.


CARTA DE FREUD


Prezado Professor Einstein,

Quando soube que o senhor intencionava convidar-me para um intercâmbio de pontos de vista sobre um assunto que lhe interessava e que parecia merecer o interesse de outros além do senhor, aceitei prontamente. Esperava que o senhor escolhesse um problema situado nas fronteiras daquilo que é atualmente cognoscível, um problema em relação ao qual cada um de nós, físico e psicólogo, pudesse ter o seu ângulo de abordagem especial, e no qual pudéssemos nos encontrar, sobre o mesmo terreno, embora partindo de direções diferentes. O senhor apanhou-me de surpresa, no entanto, ao perguntar o que pode ser feito para proteger a humanidade da maldição da guerra. Inicialmente me assustei com o pensamento de minha — quase escrevi ‘nossa’ — incapacidade de lidar com o que parecia ser um problema prático, um assunto para estadistas. Depois, no entanto, percebi que o senhor havia proposto a questão, não na condição de cientista da natureza e físico, mas como filantropo: o senhor estava seguindo a sugestão da Liga das Nações, assim como Fridtjof Nansen, o explorador polar, assumiu a tarefa de auxiliar as vítimas famintas e sem teto da guerra mundial. Além do mais, considerei que não me pediam para propor medidas práticas, mas sim apenas que eu delimitasse o problema da evitação da guerra tal como ele se configura aos olhos de um cientista da psicologia. Também nesse ponto, o senhor disse quase tudo o que há a dizer sobre o assunto. Embora o senhor se tenha antecipado a mim, ficarei satisfeito em seguir no seu rasto e me contentarei com confirmar tudo o que o senhor disse, ampliando-o com o melhor do meu conhecimento — ou das minhas conjecturas.
O senhor começou com a relação entre o direito e o poder. Não se pode duvidar de que seja este o ponto de partida correto de nossa investigação. Mas, permita-me substituir a palavra ‘poder’ pela palavra mais nua e crua violência’? Atualmente, direito e violência se nos afiguram como antíteses. No entanto, é fácil mostrar que uma se desenvolveu da outra e, se nos reportarmos às origens primeiras e examinarmos como essas coisas se passaram, resolve-se o problema facilmente. Perdoe-me se, nessas considerações que se seguem, eu trilhar chão familiar e comumente aceito, como se isto fosse novidade; o fio de minhas argumentações o exige.
É, pois, um princípio geral que os conflitos de interesses entre os homens são resolvidos pelo uso da violência. É isto o que se passa em todo o reino animal, do qual o homem não tem motivo por que se excluir. No caso do homem, sem dúvida ocorrem também conflitos de opinião que podem chegar a atingir a mais raras nuanças da abstração e que parecem exigir alguma outra técnica para sua solução. Esta é, contudo, uma complicação a mais. No início, numa pequena horda humana, era a superioridade da força muscular que decidia quem tinha a posse das coisas ou quem fazia prevalecer sua vontade. A força muscular logo foi suplementada e substituída pelo uso de instrumentos: o vencedor era aquele que tinha as melhores armas ou aquele que tinha a maior habilidade no seu manejo. A partir do momento em que as armas foram introduzidas, a superioridade intelectual já começou a substituir a força muscular bruta; mas o objetivo final da luta permanecia o mesmo — uma ou outra facção tinha de ser compelida a abandonar suas pretensões ou suas objeções, por causa do dano que lhe havia sido infligido e pelo desmantelamento de sua força. Conseguia-se esse objetivo de modo mais completo se a violência do vencedor eliminasse para sempre o adversário, ou seja, se o matasse. Isto tinha duas vantagens: o vencido não podia restabelecer sua oposição, e o seu destino dissuadiria outros de seguirem seu exemplo. Ademais disso, matar um inimigo satisfazia uma inclinação instintual, que mencionarei posteriormente. À intenção de matar opor-se-ia a reflexão de que o inimigo podia ser utilizado na realização de serviços úteis, se fosse deixado vivo e num estado de intimidação. Nesse caso, a violência do vencedor contentava-se com subjugar, em vez de matar, o vencido. Foi este o início da idéia de poupar a vida de um inimigo, mas a partir daí o vencedor teve de contar com a oculta sede de vingança do adversário vencido e sacrificou uma parte de sua própria segurança.
Esta foi, por conseguinte, a situação inicial dos fatos: a dominação por parte de qualquer um que tivesse poder maior — a dominação pela violência bruta ou pela violência apoiada no intelecto. Como sabemos, esse regime foi modificado no transcurso da evolução. Havia um caminho que se estendia da violência ao direito ou à lei. Que caminho era este? Penso ter sido apenas um: o caminho que levava ao reconhecimento do fato de que à força superior de um único indivíduo, podia-se contrapor a união de diversos indivíduos fracos. ‘L’union fait la force.’ A violência podia ser derrotada pela união, e o poder daqueles que se uniam representava, agora, a lei, em contraposição à violência do indivíduo só. Vemos, assim, que a lei é a força de uma comunidade. Ainda é violência, pronta a se voltar contra qualquer indivíduo que se lhe oponha; funciona pelos mesmos métodos e persegue os mesmos objetivos. A única diferença real reside no fato de que aquilo que prevalece não é mais a violência de um indivíduo, mas a violência da comunidade. A fim de que a transição da violência a esse novo direito ou justiça pudesse ser efetuada, contudo, uma condição psicológica teve de ser preenchida. A união da maioria devia ser estável e duradoura. Se apenas fosse posta em prática com o propósito de combater um indivíduo isolado e dominante, e fosse dissolvida depois da derrota deste, nada se teria realizado. A pessoa, a seguir, que se julgasse superior em força, haveria de mais uma vez tentar estabelecer o domínio através da violência, e o jogo se repetiria ad infinitum. A comunidade deve manter-se permanentemente, deve organizar-se, deve estabelecer regulamentos para antecipar-se ao risco de rebelião e deve instituir autoridades para fazer com que esses regulamentos — as leis — sejam respeitadas, e para superintender a execução dos atos legais de violência. O reconhecimento de uma entidade de interesses como estes levou ao surgimento de vínculos emocionais entre os membros de um grupo de pessoas unidas — sentimentos comuns, que são a verdadeira fonte de sua força. 
Acredito que, com isso, já tenhamos todos os elementos essenciais: a violência suplantada pela transferência do poder a uma unidade maior, que se mantém unida por laços emocionais entre os seus membros. O que resta dizer não é senão uma ampliação e uma repetição desse fato.
A situação é simples enquanto a comunidade consiste em apenas poucos indivíduos igualmente fortes. As leis de uma tal associação irão determinar o grau em que, se a segurança da vida comunal deve ser garantida, cada indivíduo deve abrir mão de sua liberdade pessoal de utilizar a sua força para fins violentos. Um estado de equilíbrio dessa espécie, porém, só é concebível teoricamente. Na realidade, a situação complica-se pelo fato de que, desde os seus primórdios, a comunidade abrange elementos de força desigual — homens e mulheres, pais e filhos — e logo, como conseqüência da guerra e da conquista, também passa a incluir vencedores e vencidos, que se transformam em senhores e escravos. A justiça da comunidade então passa a exprimir graus desiguais de poder nela vigentes. As leis são feitas por e para os membros governantes e deixa pouco espaço para os direitos daqueles que se encontram em estado de sujeição. Dessa época em diante, existem na comunidade dois fatores em atividade que são fonte de inquietação relativamente a assuntos da lei, mas que tendem, ao mesmo tempo, a um maior crescimento da lei. Primeiramente, são feitas, por certos detentores do poder, tentativas, no sentido de se colocarem acima das proibições que se aplicam a todos — isto é, procuram escapar do domínio pela lei para o domínio pela violência. Em segundo lugar, os membros oprimidos do grupo fazem constantes esforços para obter mais poder e ver reconhecidas na lei algumas modificações efetuadas nesse sentido — isto é, fazem pressão para passar da justiça desigual para a justiça igual para todos. Essa segunda tendência torna-se especialmente importante se uma mudança real de poder ocorre dentro da comunidade, como pode ocorrer em conseqüência de diversos fatores históricos. Nesse caso, o direito pode gradualmente adaptar-se à nova distribuição do poder; ou, como sucede com maior freqüência, a classe dominante se recusa a admitir a mudança e a rebelião e a guerra civil se seguem, com uma suspensão temporária da lei e com novas tentativas de solução mediante a violência, terminando pelo estabelecimento de um novo sistema de leis. Ainda há uma terceira fonte da qual podem surgir modificações da lei, e que invariavelmente se exprime por meios pacíficos: consiste na transformação cultural dos membros da comunidade. Isto, porém, propriamente faz parte de uma outra correlação e deve ser considerado posteriormente.
Vemos, pois, que a solução violenta de conflitos de interesses não é evitada sequer dentro de uma comunidade. As necessidades cotidianas e os interesses comuns, inevitáveis ali onde pessoas vivem juntas num lugar, tendem, contudo, a proporcionar a essas lutas uma conclusão rápida, e, sob tais condições, existe uma crescente probabilidade de se encontrar uma solução pacífica. Outros sim, um rápido olhar pela história da raça humana revela uma série infindável de conflitos entre uma comunidade e outra, ou diversas outras, entre unidades maiores e menores — entre cidades, províncias, raças, nações, impérios —, que quase sempre se formaram pela força das armas. Guerras dessa espécie terminam ou pelo saque ou pelo completo aniquilamento e conquista de uma das partes. É impossível estabelecer qualquer julgamento geral das guerras de conquista. Algumas, como as empreendidas pelos mongóis e pelos turcos, não trouxeram senão malefícios. Outras, pelo contrário, contribuíram para a transformação da violência em lei, ao estabelecerem unidades maiores, dentro das quais o uso da violência se tornou impossível e nas quais um novo sistema de leis solucionou osconflitos. Desse modo, as conquistas dos romanos deram aos países próximos ao Mediterrâneo a inestimável pax romana, e a ambição dos reis franceses de ampliar os seus domínios criou uma França pacificamente unida e florescente. Por paradoxal que possa parecer, deve-se admitir que a guerra poderia ser um meio nada inadequado de estabelecer o reino ansiosamente desejado de paz ‘perene’, pois está em condições de criar as grandes unidades dentro das quais um poderoso governo central torna impossíveis outras guerras. Contudo, ela falha quanto a esse propósito, pois os resultados da conquista são geralmente de curta duração: as unidades recentemente criadas esfacelam-se novamente, no mais das vezes devido a uma falta de coesão entre as partes que foram unidas pela violência. Ademais, até hoje as unificações criadas pela conquista, embora de extensão considerável, foram apenas parciais, e os conflitos entre elas ensejaram, mais do que nunca, soluções violentas. O resultado de todos esses esforços bélicos consistiu, assim, apenas em a raça humana haver trocado as numerosas e realmente infindáveis guerras menores por guerras em grande escala, que são raras, contudo muito mais destrutivas.
Se nos voltamos para os nossos próprios tempos, chegamos a mesma conclusão a que o senhor chegou por um caminho mais curto. As guerras somente serão evitadas com certeza, se a humanidade se unir para estabelecer uma autoridade central a que será conferido o direito de arbitrar todos os conflitos de interesses. Nisto estão envolvidos claramente dois requisitos distintos: criar uma instância suprema e dotá-la do necessário poder. Uma sem a outra seria inútil. A Liga das Nações é destinada a ser uma instância dessa espécie, mas a segunda condição não foi preenchida: a Liga das Nações não possui poder próprio, e só pode adquiri-lo se os membros da nova união, os diferentes estados, se dispuserem a cedê-lo. E, no momento, parecem escassas as perspectivas nesse sentido. A instituição da Liga das Nações seria totalmente ininteligível se se ignorasse o fato de que houve uma tentativa corajosa, como raramente (talvez jamais em tal escala) se fez antes. Ela é uma tentativa de fundamentar a autoridade sobre um apelo a determinadas atitudes idealistas da mente (isto é, a influência coercitiva), que de outro modo se baseia na posse da força. Já vimos que uma comunidade se mantém unida por duas coisas: a força coercitiva da violência e os vínculos emocionais (identificações é o nome técnico) entre seus membros. Se estiver ausente um dos fatores, é possível que a comunidade se mantenha ainda pelo outro fator. As idéias a que se faz o apelo só podem, naturalmente, ter importância se exprimirem afinidades importantes entre os membros, e pode-se perguntar quanta força essas idéias podem exercer. A história nos ensina que, em certa medida, elas foram eficazes. Por exemplo, a idéia do pan-helenismo, o sentido de ser superior aos bárbaros de além-fronteiras — idéia que foi expressa com tanto vigor no conselho anfictiônico, nos oráculos e nos jogos —, foi forte a ponto de mitigar os costumes guerreiros entre os gregos, embora, é claro, não suficientemente forte para evitar dissensões bélicas entre as diferentes partes da nação grega, ou mesmo para impedir uma cidade ou confederação de cidades de se aliar com o inimigo persa, a fim de obter vantagem contra algum rival. A identidade de sentimentos entre os cristãos, embora fosse poderosa, não conseguiu, à época do Renascimento, impedir os Estados Cristãos, tanto os grandes como os pequenos, de buscar o auxílio do sultão em suas guerras de uns contra os outros. E atualmente não existe idéia alguma que, espera-se, venha a exercer uma autoridade unificadora dessa espécie. Na realidade, é por demais evidente que os ideais nacionais, pelos quais as nações se regem nos dias de hoje, atuam em sentido oposto. Algumas pessoas tendem a profetizar que não será possível pôr um fim à guerra, enquanto a forma comunista de pensar não tenha encontrado aceitação universal. Mas esse objetivo, em todo caso, está muito remoto, atualmente, e talvez só pudesse ser alcançado após as mais terríveis guerras civis. Assim sendo, presentemente, parece estar condenada ao fracasso a tentativa de substituir a força real pela força das idéias. Estaremos fazendo um cálculo errado se desprezarmos o fato de que a lei, originalmente, era força bruta e que, mesmo hoje, não pode prescindir do apoio da violência. 
Passo agora, a acrescentar algumas observações aos seus comentários. O senhor expressa surpresa ante o fato de ser tão fácil inflamar nos homens o entusiasmo pela guerra, e insere a suspeita, de que neles exige em atividade alguma coisa — um instinto de ódio e de destruição — que coopera com os esforços dos mercadores da guerra. Também nisto apenas posso exprimir meu inteiro acordo. Acreditamos na existência de um instinto dessa natureza, e durante os últimos anos temo-nos ocupado realmente em estudar suas manifestações. Permita-me que me sirva dessa oportunidade para apresentar-lhe uma parte da teoria dos instintos que, depois de muitas tentativas hesitantes e muitas vacilações de opinião, foi formulada pelos que trabalham na área da psicanálise?

De acordo com nossa hipótese, os instintos humanos são de apenas dois tipos: aqueles que tendem a preservar e a unir — que denominamos ‘eróticos’, exatamente no mesmo sentido em que Platão usa a palavra ‘Eros’ em seu Symposium, ou ‘sexuais’, com uma deliberada ampliação da concepção popular de ‘sexualidade’ —; e aqueles que tendem a destruir e matar, os quais agrupamos como instinto agressivo ou destrutivo. Como o senhor vê, isto não é senão uma formulação teórica da universalmente conhecida oposição entre amor e ódio, que talvez possa ter alguma relação básica com a polaridade entre atração e repulsão, que desempenha um papel na sua área de conhecimentos. Entretanto, não devemos ser demasiado apressados em introduzir juízos éticos de bem e de mal. Nenhum desses dois instintos é menos essencial do que o outro; os fenômenos da vida surgem da ação confluente ou mutuamente contrária de ambos. Ora, é como se um instinto de um tipo dificilmente pudesse operar isolado; está sempre acompanhado — ou, como dizemos, amalgamado — por determinada quantidade do outro lado, que modifica o seu objetivo, ou, em determinados casos, possibilita a consecução desse objetivo. Assim, por exemplo, o instinto de autopreservação certamente é de natureza erótica; não obstante, deve ter à sua disposição a agressividade, para atingir seu propósito. Dessa forma, também o instinto de amor, quando dirigido a um objeto, necessita de alguma contribuição do instinto de domínio, para que obtenha a posse desse objeto. A dificuldade de isolar as duas espécies de instinto em suas manifestações reais, é, na verdade, o que até agora nos impedia de reconhecê-los.
Se o senhor quiser acompanhar-me um pouco mais, verá que as ações humanas estão sujeitas a uma outra complicação de natureza diferente. Muito raramente uma ação é obra de um impulso instintual único (que deve estar composto de Eros e destrutividade). A fim de tornar possível uma ação, há que haver, via de regra, uma combinação desses motivos compostos. Isto, há muito tempo, havia sido percebido por um especialista na sua matéria, o professor G. C. Lichtenberg, que ensinava física em Göttingen, durante o nosso classicismo, embora, talvez, ele fosse ainda mais notável como psicólogo do que como físico. Ele inventou uma ‘bússola de motivos’, pois escreveu: ‘Os motivos que nos levam a fazer algo poderiam ser dispostos à maneira da rosa-dos-ventos e receber nomes de uma forma parecida: por exemplo, “pão — pão — fama” ou “fama — fama — pão”.’ De forma que, quando os seres humanos são incitados à guerra, podem ter toda uma gama de motivos para se deixarem levar — uns nobres, outros vis, alguns francamente declarados, outros jamais mencionados. Não há por que enumerá-los todos. Entre eles está certamente o desejo da agressão e destruição: as incontáveis crueldades que encontramos na história e em nossa vida de todos os dias atestam a sua existência e a sua força. A satisfação desses impulsosdestrutivos naturalmente é facilitada por sua mistura com outros motivos de natureza erótica e idealista. Quando lemos sobre as atrocidades do passado, amiúde é como se os motivos idealistas servissem apenas de excusa para os desejos destrutivos; e, às vezes — por exemplo, no caso das crueldades da Inquisição — é como se os motivos idealistas tivessem assomado a um primeiro plano na consciência, enquanto os destrutivos lhes emprestassem um reforço inconsciente. Ambos podem ser verdadeiros.
Receio que eu possa estar abusando do seu interesse, que, afinal, se volta para a prevenção da guerra e não para nossas teorias. Gostaria, não obstante, de deter-me um pouco mais em nosso instinto destrutivo, cuja popularidade não é de modo algum igual à sua importância. Como conseqüência de um pouco de especulação, pudemos supor que esse instinto está em atividade em toda criatura viva e procura levá-la ao aniquilamento, reduzir a vida à condição original de matéria inanimada. Portanto, merece, com toda seriedade, ser denominado instinto de morte, ao passo que os instintos eróticos representam o esforço de viver. O instinto de morte torna-se instinto destrutivo quando, com o auxílio de órgãos especiais, é dirigido para fora, para objetos. O organismo preserva sua própria vida, por assim dizer, destruindo uma vida alheia. Uma parte do instinto de morte, contudo, continua atuante dentro do organismo, e temos procurado atribuir numerosos fenômenos normais e patológicos a essa internalização do instinto de destruição. Foi-nos até mesmo imputada a culpa pela heresia de atribuir a origem da consciência a esse desvio da agressividade para dentro. O senhor perceberá que não é absolutamente irrelevante se esse processo vai longe demais: é positivamente insano. Por outro lado, se essas forças se voltam para a destruição no mundo externo, o organismo se aliviará e o efeito deve ser benéfico. Isto serviria de justificação biológica para todos os impulsos condenáveis e perigosos contra os quais lutamos. Deve-se admitir que eles se situam mais perto da Natureza do que a nossa resistência, para a qual também é necessário encontrar uma explicação. Talvez ao senhor possa parecer serem nossas teorias uma espécie de mitologia e, no presente caso, mitologia nada agradável. Todas as ciências, porém, não chegam, afinal, a uma espécie de mitologia como esta? Não se pode dizer o mesmo, atualmente, a respeito da sua física? 
Para nosso propósito imediato, portanto, isto é tudo o que resulta daquilo que ficou dito: de nada vale tentar eliminar as inclinações agressivas dos homens. Segundo se nos conta, em determinadas regiões privilegiadas da Terra, onde a natureza provê em abundância tudo o que é necessário ao homem, existem povos cuja vida transcorre em meio à tranqüilidade, povos que não conhecem nem a coerção nem a agressão. Dificilmente posso acreditar nisso, e me agradaria saber mais a respeito de coisas tão afortunadas. Também os bolchevistas esperam ser capazes de fazer a agressividade humana desaparecer mediante a garantia de satisfação de todas as necessidades materiais e o estabelecimento da igualdade, em outros aspectos, entre todos os membros da comunidade. Isto, na minha opinião, é uma ilusão. Eles próprios, hoje em dia, estão armados da maneira mais cautelosa, e o método não menos importante que empregam para manter juntos os seus adeptos é o ódio contra qualquer pessoa além das suas fronteiras. Em todo caso, como o senhor mesmo observou, não há maneira de eliminar totalmente os impulsos agressivos do homem; pode-se tentar desviá-los num grau tal que não necessitem encontrar expressão na guerra.
Nossa teoria mitológica dos instintos facilita-nos encontrar a fórmula para métodos indiretos de combater a guerra. Se o desejo de aderir à guerra é um efeito do instinto destrutivo, a recomendação mais evidente será contrapor-lhe o seu antagonista, Eros. Tudo o que favorece o estreitamento dos vínculos emocionais entre os homens deve atuar contra a guerra. Esses vínculos podem ser de dois tipos. Em primeiro lugar, podem ser relações semelhantes àquelas relativas a um objeto amado, embora não tenham uma finalidade sexual. A psicanálise não tem motivo porque se envergonhar se nesse ponto fala de amor, pois a própria religião emprega as mesmas palavras: ‘Ama a teu próximo como a ti mesmo.’ Isto, todavia, é mais facilmente dito do que praticado. O segundo vínculo emocional é o que utiliza a identificação. Tudo o que leva os homens a compartilhar de interesses importantes produz essa comunhão de sentimento, essas identificações. E a estrutura da sociedade humana se baseia nelas, em grande escala.
Uma queixa que o senhor formulou acerca do abuso de autoridade, leva-me a uma outra sugestão para o combate indireto à propensão à guerra. Um exemplo da desigualdade inata e irremovível dos homens é sua tendência a se classificarem em dois tipos, o dos líderes e o dos seguidores. Esses últimos constituem a vasta maioria; têm necessidade de uma autoridade que tome decisões por eles e à qual, na sua maioria devotam uma submissão ilimitada. Isto sugere que se deva dar mais atenção, do que até hoje se tem dado, à educação da camada superior dos homens dotados de mentalidade independente, não passível de intimidação e desejosa de manter-se fiel à verdade, cuja preocupação seja a de dirigir as massas dependentes. É desnecessário dizer que as usurpações cometidas pelo poder executivo do Estado e a proibição estabelecida pela Igreja contra a liberdade de pensamento não são nada favoráveis à formação de uma classe desse tipo. A situação ideal, naturalmente, seria a comunidade humana que tivesse subordinado sua vida instintual ao domínio da razão. Nada mais poderia unir os homens de forma tão completa e firme, ainda que entre eles não houvesse vínculos emocionais. No entanto, com toda a probabilidade isto é uma expectativa utópica. Não há dúvida de que os outros métodos indiretos de evitar a guerra são mais exeqüíveis, embora não prometam êxito imediato. Vale lembrar aquela imagem inquietante do moinho que mói tão devagar, que as pessoas podem morrer de fome antes de ele poder fornecer sua farinha. 
O resultado, como o senhor vê, não é muito frutífero quando um teórico desinteressado é chamado a opinar sobre um problema prático urgente. É melhor a pessoa, em qualquer caso especial, dedicar-se a enfrentar o perigo com todos os meios à mão. Eu gostaria, porém, de discutir mais uma questão que o senhor não menciona em sua carta, a qual me interessa em especial. Por que o senhor, eu e tantas outras pessoas nos revoltamos tão violentamente contra a guerra? Por que não a aceitamos como mais uma das muitas calamidades da vida? Afinal, parece ser coisa muito natural, parece ter uma base biológica e ser dificilmente evitável na prática. Não há motivo para se surpreender com o fato de eu levantar essa questão. Para o propósito de uma investigação como esta, poder-se-ia, talvez, permitir-se usar uma máscara de suposto alheamento. A resposta à minha pergunta será a de que reagimos à guerra dessa maneira, porque toda pessoa tem o direito à sua própria vida, porque a guerra põe um término a vidas plenas de esperanças, porque conduz os homens individualmente a situações humilhantes, porque os compele, contra a sua vontade, a matar outros homens e porque destrói objetos materiais preciosos, produzidos pelo trabalho da humanidade. Outras razões mais poderiam ser apresentadas, como a de que, na sua forma atual, a guerra já não é mais uma oportunidade de atingir os velhos ideais de heroísmo, e a de que, devido ao aperfeiçoamento dos instrumentos de destruição, uma guerra futura poderia envolver o extermínio de um dos antagonistas ou, quem sabe, de ambos. Tudo isso é verdadeiro, e tão incontestavelmente verdadeiro, que não se pode senão sentir perplexidade ante o fato de a guerra ainda não ter sido unanimemente repudiada. Sem dúvida, é possível o debate em torno de alguns desses pontos. Pode-se indagar se uma comunidade não deveria ter o direito de dispor da vida dos indivíduos; nem toda guerra é passível de condenação em igual medida; de vez que existem países e nações que estão preparados para a destruição impiedosa de outros, esses outros devem ser armados para a guerra. Mas não me deterei em nenhum desses aspectos; não constituem aquilo que o senhor deseja examinar comigo, e tenho em mente algo diverso. Penso que a principal razão por que nos rebelamos contra a guerra é que não podemos fazer outra coisa. Somos pacifistas porque somos obrigados a sê-lo, por motivos orgânicos, básicos. E sendo assim, temos dificuldade em encontrar argumentos que justifiquem nossa atitude.
Sem dúvida, isto exige alguma explicação. Creio que se trata do seguinte. Durante períodos de tempo incalculáveis, a humanidade tem passado por um processo de evolução cultural. (Sei que alguns preferem empregar o termo ‘civilização’). É a esse processo que devemos o melhor daquilo em que nos tornamos, bem como uma boa parte daquilo de que padecemos. Embora suas causas e seus começos sejam obscuros e incerto o seu resultado, algumas de suas características são de fácil percepção. Talvez esse processo esteja levando à extinção a raça humana, pois em mais de um sentido ele prejudica a função sexual; povos incultos e camadas atrasadas da população já se multiplicam mais rapidamente do que as camadas superiormente instruídas. Talvez se possa comparar o processo à domesticação de determinadas espécies animais, e ele se acompanha, indubitavelmente, de modificações físicas; mas ainda não nos familiarizamos com a idéia de que a evolução da civilização é um processo orgânico dessa ordem. As modificações psíquicas que acompanham o processo de civilização são notórias e inequívocas. Consistem num progressivo deslocamento dos fins instintuais e numa limitação imposta aos impulsos instintuais. Sensações que para os nossos ancestrais eram agradáveis, tornaram-se indiferentes ou até mesmo intoleráveis para nós; há motivos orgânicos para as modificações em nossos ideais éticos e estéticos. Dentre as características psicológicas da civilização, duas aparecem como as mais importantes: o fortalecimento do intelecto, que está começando a governar a vida instintual, e a internalização dos impulsos agressivos com todas as suas conseqüentes vantagens e perigos. Ora, a guerra se constitui na mais óbvia oposição à atitude psíquica que nos foi incutida pelo processo de civilização, e por esse motivo não podemos evitar de nos rebelar contra ela; simplesmente não podemos mais nos conformar com ela. Isto não é apenas um repúdio intelectual e emocional; nós, os pacifistas, temos uma intolerância constitucional à guerra, digamos, uma idiossincrasia exacerbada no mais alto grau. Realmente, parece que o rebaixamento dos padrões estéticos na guerra desempenha um papel dificilmente menor em nossa revolta do que as suas crueldades.
E quanto tempo teremos de esperar até que o restante da humanidade também se torne pacifista? Não há como dizê-lo. Mas pode não ser utópico esperar que esses dois fatores, a atitude cultural e o justificado medo das conseqüências de uma guerra futura, venham a resultar, dentro de um tempo previsível, em que se ponha um término à ameaça de guerra. Por quais caminhos ou por que atalhos isto se realizará, não podemos adivinhar. Mas uma coisa podemos dizer: tudo o que estimula o crescimento da civilização trabalha simultaneamente contra a guerra.

Espero que o senhor me perdoe se o que eu disse o desapontou, e com a expressão de toda estima, subscrevo-me,

Cordialmente,


SIGM. FREUD
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